Passaram vários dias desde o tal dia e como de costume lá estava eu, mal conseguia dormir, já estava habituado, mas mesmo assim não conseguia ignorar os pedidos de ajuda vindos da cave, pedidos esses desesperados. Desde criança que era assim, cresci no meio de sangue e terror, sempre com o desejo de poder sair daqui um dia mais tarde. Tentei ser normal e arranjar amigos mas o mau aspecto da minha família fazia todos temerem de mim, farto de toda a exclusão e humilhação a que era submetido, deixei a escola. Desde os 10 anos que o meu pai me obriga a ajuda-lo a tomar conta das raparigas que tem na cave, ao principio contava-me uma história em que as inseria como más da fita e por isso tinham que ser castigadas, durante uns anos acreditei nisso, apesar de achar um castigo demasiado macabro para qualquer crime que pudessem ter cometido. Cinco anos depois decidi pesquisar sobre uma das raparigas a quem o meu pai cortou o pescoço á minha frente, fui ao armário onde todos os pertences das prisioneiras estavam e encontrei o BI dela “ Ana Rita Correia Martins, 17 anos”, Corri para o computador pesquisei o nome dela e logo apareceu uma noticia sobre o seu desaparecimento, ao contrario do que o meu pai me tinha dito, ela não era uma prostituta mas sim uma rapariga pacata duma aldeia não muito distante, na noticia falava de como os seus pais mantinham viva a esperança de encontrar a sua única filha com vida, fiquei de rastos. No dia seguinte confrontei o meu pai com todos os dados que havia descoberto, tivemos uma discussão horrenda e no final ameacei contar tudo se não as libertasse, inundado de raiva o meu pai correu até á cozinha onde a minha mãe estava a preparar o almoço e ao encostar uma faca de cozinha ao pescoço dela disse:
- Se contas isto a alguém, não vais ser só tu que te calas para sempre mas a tua mãezinha também não vai ficar em condições de dizer nada a ninguém.
Calei-me imediatamente, corri para o quarto e lá me mantive fechado o resto de dia. Foi ai que tentei o meu primeiro suicídio, infelizmente sem sucesso, seguido de varias tentativas também falhadas, graças á rápida assistência da minha mãe que via em mim a sua única esperança.
Continua....
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