sábado, 3 de dezembro de 2011
True Love - Parte Final
Ele entrou na casa e a minha unica reacção foi desatar a chorar, agora acho que poderia ter feito algo para evitar tudo aquilo mas fiquei sem reacção, fiquei sem forças. Queria entrar mas tinha medo do que poderia ver. Hesitei, fiquei parado durante alguns momentos diante da porta de entrada, dei um passo em frente e recuei, conseguia ouvir os seus gritos e o seu corpo a arrojar no chao, como no dia em que ela chegou. Nesse dia consegui salva-la, agora ja nada poderia fazer. Entrei e segui em direcção ao quarto, nao o queria ver, agora odiava-o mais do que alguma vez o odiei. Odiava-o por todo o sofrimento que causou, pela infancia carregada de tristeza e morte; pelo medo que me fazia sentir e acima de tudo por me ter roubado a unica coisa que eu alguma vez amei e que alguma vez que me fez feliz. Ouvi os seus passos pesados a aproximarem-se, pensei que fosse entrar e fazer-me algo mas apenas berrou: Foste tu que causas-te isto! Ela vai morrer por tua causa! e voltei a ouvir os passos as afastarem-se. Isto doeu mais que qualquer abuso fisico a que ele me pudesse submeter, isto deixa-te a pensar no que poderias ter feito, a culpa destroi-nos por dentro,faz-nos odiar-nos, é simplemente um sentimento horrivel.
A noite chegou e agora nao havia um abraço que encobrisse o medo ou um sussurro que apagasse a dor. Apenas sentia um vazio enquando escutava os gritos vindos da cave, os gritos da miuda que eu amava, e por muito que tentasse não pensar dela, a imagem do seu sorriso invadia-me a mente. Desejava adormecer e ao acordar te-la nos meus braços, sentir o corpo dela junto ao meu ou simplesmente sentir o seu respirar ou o bater do seu coração. Agora estava sozinho sem razao para continuar, sem razao para viver.
Se tentasse algo para a tirar dali ele matava-a se nao fizesse nada ele mataria-a na mesma, nao tinha escolha. Eu ja deveria estar preparado para isto, eu sabia que nao a poderia ter ali para sempre, que se nao a tirasse dali isto iria acontecer, eu poderia ter feito tanta coisa, eu podia ter-la salvo, eu podia te-la ajudado a fugir, sofreria menos morrendo no lugar dela do que senti-la a morrer tao perto de mim e nao o poder impedir. Enquanto ouvisse os seus gritos de socorro sabia que ela estava viva, quando estes se apagasse entao tudo houvera acabado. Tentei tudo, tentei pedir-lhe para solta-la mas ele nem me dirigiu a palavra, tentei solta-la sozinho mas ele achou que era mais seguro trancar a cave e tentar tirar-lhe a chave era impossivel. Os dias passaram e o tempo esgotava-se, os gritos tornavam-se mais fracos ate que hoje desapareceram. Corri desesperadamente para a porta, bati nela com toda a minha força, chamei pela Taylor ate ficar sem voz mas nao houve resposta. Encostei-me á porta e apenas chorei, fiquei imovel apenas a chorar e a dizer palavras sem sentido mas que naquele momento necessitavam de ser ditas. O meu pai chegou nessa altura, olhou para mim e apenas sorriu, como se tivesse feito uma boa acção, como se roubar a vida a alguem fosse um orgulho. Voltei para o quarto e aqui estou a escrever, a minha historia que vai terminar aqui. Nao aguento mais esta vida injusta que apenas me apunha-la pelas costas, que me fez viver anos horriveis e quando eu finalmente estava feliz, roubou-me o motivo da minha felicidade. Nestes momentos e que eu gostaria de ter fé, gostaria de acreditar que ha algo depois disto, um sitio algures onde possa ser feliz, um sitio onde depois de morrer possa estar com ela, mas nao tenho força suficiente, era tudo tao mais facil. Para ter uma crença e preciso ter força, para a seguir, para nao duvidar e acima de tudo para acreditar, coisa que eu nao consigo. Por muito que doa acho que aseguir a isto nao ha nada, que apenas deixamos de sentir dor ou felicidade, odio ou amor; que deixamos de pensar, sonhar ou seja deixamos de existir. Isto assusta-me tanto, mas nao aguento mais esta dor, nao aguento mais isto. Para que viver se apenas há sofriemento? Se nao há caminho por onde seguir? Desta vez ninguem me vai impedir, vou trancar a velha porta de madeira que outrora oferecia segurança a uma vida, agora vai ajudar a que se acabe com outra. Ninguem me poderá ajudar, esta decisão e minha e nao vou deixar que ninguem a altere. Tenho o revolver do meu pai da mao, preciso apenas de apretar o gatilho, parece facil mas nao é. O meu pai sempre me chamou de cobarde, talvez seja isso que seja, por acabar com tudo isto, mas nao e qualquer cobarde que tem força suficiente para acabar com a propria vida, acreditem. Quero que leias isto, Pai, sei que nao vais sentir nada, porque es um psicopatica sem sentimentos, mas quero que sabes que isto é tudo culpa TUA, TU e que fizeste com que a minha vida fosse um inferno, TU e que me tiraste a vontade de viver, TU e que me Matas-te!
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário