Fiquei um pouco apenas parada a olhá-la, não me conseguia mover, nem falar sequer, tudo o que se passava a minha volta tinha desaparecido e a minha mente apenas fixava aquela pequena rapariga do outro lado do vidro. De repente o policia a meu lado gritou:
- Menina?
- Sim desculpe diga....
- Tentamos falar com ela toda a manhã, ela apenas diz que nunca a viu e que essa história é completamente absurda. Mas quando a menina desapareceu nós investigamos o seu computador e a historia do encontro com a ela confirma-se. Talvez se falar com ela....
- Não sei... Não me sinto segura depois de tudo o que aconteceu....
- Não deixamos que nada lhe aconteça, fique descansada.
- Está bem.
Respirei fundo, a porta abria-se a minha frente e a minha mente enchia-se de perguntas para fazer aquela misteriosa criatura. Entrei lentamente, um pouco hesitante, e sentei.me na cadeira do outro lado da mesa onde ela se encontrava. Voltei a respirar fundo e fechei os olhos, as palavras saíram lentamente:
- Lembras-te de mim...?
- Não! - Respondeu ela sem pestanejar.
- Não vale a pena mentires... Eles viram as nossas conversas, eles sabem que foste tu, já não tens hipóteses de te fingires de inocente, mas isso não importa porque a única coisa que me interessa agora é saber o porquê...
- Deves ser doida...
- Pára de Fingir! - Gritei já um pouco irritada - Apenas explica-me o porquê... porquê que fingiste ser minha amiga para me atraíres para aquele inferno... porquê que ajudas-te aquele monstro?
- Ele não é nenhum monstro... Ele ama-me sabias? - Disse sorrindo
- O quê?
- Sim... Eu era apenas uma miúda como tu, mas ele raptou-me e a minha vida mudou. Levou-me para casa e fechou-me na cave como deve ter feito contigo mas depois tudo mudou. Ele gostou de mim, começamos a ter um caso mas a velha começou a desconfiar e tivemos que fazer algo. Ele fingiu que me matou, levou-me para um pequeno apartamento onde fiquei escondida e todos os dias brincava comigo sem a velha saber. A minha vida chata transformou-se numa vida cheia de acção e adrenalina.
- Mas porque o ajudas a fazer mal as raparigas? - Perguntei baixinho
- É divertido. Vocês merecem. Não parecias assim tão incomodada quando falávamos toda a noite sobre o que íamos fazer quando estivéssemos juntas, pois não? - Perguntou com um sorriso maroto. - e para além de isso é divertido ver as vossas caras de terror quando percebem que o pesadelo vai começar. Apenas uma vez por mês, para a velha não desconfiar, ele levava uma para nós dois, íamos para o campo e brincávamos todo o dia com ela. Pena que não foste uma delas, ia adorar ver o medo nos teus olhos e ouvir-te gemer de terror...
-Pára - Gritei, já com lágrimas nos olhos.
Ela aproximou-se de mim e disse lentamente:
- Tu não tens no noção de como é excitante ter uma vida nas tuas mãos, ouvi-las a implorar pela vida e apenas com um corte acabar com ela num segundo.
Não aguentei mais. Levantei-me e sai rapidamente da sala enquanto ela continuava a sorrir. O policia que me tinha acompanhado à sala, seguiu-me, sentou-se a meu lado na sala de espera e perguntou baixinho:
- Sente-se bem ?
- Sim, só precisava de sair dali. - Respondi, tentado esconder o estado em que me encontrava.
- Eu percebo que tenha sido difícil mas ao menos conseguimos uma confissão.
- Ainda bem que ajudou... Importava-se de me fazer um favor? - Sussurrei.
- Diga?
- Podia-me apenas dizer o nome verdadeiro dela?
- Eu não estou autorizado a dar essa informação.
- Eu prometo que não faço nada... Apenas preciso de saber o nome verdadeiro dela... Por favor.
- Está bem. Mas não pode falar disto a ninguém. O nome que consta no processo é Ana Rita Correia.
- Obrigado. Já posso ir embora?
- Sim. Pode.
- Obrigada. Até depois.
Sai disparada da esquadra, sabia que já tinha ouvido aquele nome algures...
Continua...