As perguntas começaram a surgir assim como as minhas lágrimas, cada uma mais dolorosa que a anterior, só queria sair dali mas ele continuava. Parecia ate gostar que cada palavra que mencionasse me magoasse ainda mais, repetia "Kevin" outra e outra vez porque cada vez que o dizia o meu coração parava, parecia estar a sentir prazer com aquilo. Estava a ficar completamente farta de estar ali fechada com aquele homem que supostamente devia ajudar-me e mandar aquele monstro apodrecer na prisão mas que estava ali apenas a cumprir horário, dizendo cada palavra sempre com a mesma descontracção parecendo nem sequer se importava com tudo aquilo. Só de pensar que todo aquele tempo esperei pela policia, desejava que algures la fora estivesse alguém obcecado em me encontrar como aqueles policias dos filmes que não desistem e são capazes de dar a sua vida pela vitima do caso que estão a investigar, mas a verdade não era assim tao romanceada e estes apenas queriam acabar o seu trabalho e voltar a casa com dinheiro no bolso. Tudo aquilo apenas me tinha deixado cada vez mais frustrada. Depois de algumas horas fechada, deixaram-me finalmente sair, ao certo não sei quanto tempo passou porque cada segundo ali dentro parecia horas. Entrei no carro do meu pai e segui para casa que se encontra a aproximadamente 5 minutos da esquadra. Estava impaciente, queria as minhas coisas, queria o meu quarto e principalmente a minha confortável cama. Mal o meu pai abriu a porta de casa, entrei completamente disparada, corri toda a casa para ter a certeza que estava tudo na mesma, uma vela nova ali um candeeiro acolá, mas essencialmente estava tudo exactamente como da ultima vez em que la havia estado. Entrei no meu quarto, e uma sensação de segurança invadiu todo o meu corpo. Mandei-me para a cama, fechei os olhos e pela primeira vez fui capaz de esquecer tudo aquilo. Acordei varias horas depois com o idiota do meu irmão a chamar-me para jantar, pronto admito que ate tinha saudades do meu irmaozinho por isso nem me chateei com isso. Nós sempre nos demos bem, nunca fomos daqueles irmãos que passam a vida a discutir, claro que tivemos as nossas desavenças como toda a gente mas tudo se resolve. Desci para jantar e foi bom voltar a estar á mesa com a minha família, confesso que nunca tinha gostado muito nisso mas naquele momento soube bem. Comi, comi e voltei a comer mais, acho que nunca a comida da minha mãe me tinha sabido tão bem. Voltei para o quarto completamente cheia e o meu irmão seguiu-me.
- Podemos falar?- perguntou baixinho, com a cabeça entre a porta.
- Claro entra!
Ele correu para mim e abraçou-me.
- Senti a tua falta tonta. Os pais estavam a começar a perder a esperança mas eu sabia que estavas bem.
- Calma, já passou tudo. Agora vais ter que me aturar durante muito tempo.
- Ainda bem! Nunca mais nos voltes a pregar um susto destes! Desculpa se não queres tocar no assunto mas lembras-te do que aconteceu ?
- Sim... De algumas coisas...
- Podes contar?
- Sim...
Continua...
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