- Lembras-te de ter ido ter com a Cátia? A rapariga que conheci na internet?
- Sim...
- Eu fui ter com ela ao jardim e estivemos um pouco juntas e depois ela disse que tinha que ir e se a podia levar ao parque de estacionamento e eu fui... e foi ai que o pesadelo começou.... Parou uma carrinha ao nosso lado, ela entrou e enquanto me estava a despedir dela, o homem que estava ao volante saiu e agarrou-me por trás e levou-me para o porta-bagagens. Comecei a gritar mas não adiantava nada, pois a única coisa que ouvia era ambos a conversar, ate que paramos e a voz feminina desapareceu. Alguns minutos voltamos a parar, o porta bagagens abriu e ele arrastou-me pela terra, depois pegou um pedaço de corda e prendeu-me os pulsos. Depois...
Desatei a chorar, não queria mas não aguentei... Aquela parte apenas tinha contado a policia, nem ao Kevin tive coragem de contar, era demasiado para ele e tinha medo que o meu corpo o repugnasse depois de tudo aquilo.
- Se nao quiseres pára ...
- Não... eu continuo... ele atirou-me para a terra como se fosse um simples objecto e usou-me como tal...Quando acabou voltou a fechar-me no carro e prosseguiu viagem. Algum tempo depois o carro parou novamente, ouvi passos a afastarem-se do carro e a porta a fechar. Respirei de alivio mas apenas por pouco tempo pois ele voltaria para me ir buscar. Agarrou-me pelos cabelos e arrastou-me pela terra até á entrada de uma pequena casa de campo e foi lá que tudo mudou. Na sala que era directamente em frente á entrada estava uma mulher pequena com cabelo negro e olhos escuros e no outro canto um rapaz... Não sei porque mas ele reparou em mim... e foi graças a ele que fiquei em segurança... e foi graças a mim que ele morreu.
- Conta lá isso melhor...
- Esse rapaz apaixonou-se por mim... e eu por ele mas mesmo a serio... e ele fez tudo para me proteger e tentar tirar dali até que o pai dele decidiu fazer a minha melhor amiga como uma das suas vitimas. Foi ai que eu construí um plano totalmente parvo... consegui que ela fugisse mas eu fui presa na cave e espancada ate ficar inconsciente.., quando voltei a acordar a policia já la estava e eu so queria saber se o Kevin estava bem... e foi ai que me deram a noticia... Ele pensou que eu tinha morrido e tirou a sua própria vida... Mas acredita que a morte dele vai ser vingada, a culpa foi toda daquele monstro e ele há-de pagar por isso!
- Mas espera ai... Falas-te sobre essa tal Cátia á policia?
- Sim e fizeram um retrato robô com as minhas descrições e disseram-me que depois me ligavam se fosse preciso identificá-la.
- Olha mana eu já te fiz sofrer demasiado, vai descansar, aposto que mal podes esperar para passar uma bela noite na tua cama.
- Nem imaginas o quanto...
- Então vai la descansar... mas olha se precisares de algo chama ok?
- Ok. Te manha
Ele saiu e enfiei-me debaixo dos lençóis, mas por muito cansada que estivesse, não conseguia dormir, apenas faltava algo... um corpo junto ao meu, os seus braços a envolverem-me... Habituei-me demasiado a tudo aquilo. Depois de algumas voltas na cama lá consegui adormecer até ser acordada com o telemóvel a vibrar. Atendi rapidamente:
-Tô?
- Sim. Boa tarde, fala da esquadra, precisávamos que passasse aqui para identificar a rapariga de que nos falou ontem.
- A que horas?
- 17h
- Esta bem. As 17h estarei ai.
- Tenha uma boa tarde.
- Igualmente
Larguei o telemóvel e espreguicei-me, já nem me lembrava o quanto aquela cama era confortável mas tive que derrotar a preguiça e levantar-me, pois já passavam das 15h. Tomei um breve duche, vesti-me, desci, comi os restos do almoço que a minha mãe fizera e sai de casa em direcção á esquadra. Em poucos minutos estava lá, entrei, identifiquei.me e encaminharam-me para a sala onde tinha estado fechada anteriormente. Fiquei da parte de fora junto ao vidro com um dos policias a meu lado. Lá dentro uma rapariga ruiva repousava inocentemente na pequena cadeira preta.
- Tem a certeza que é ela?
- Sim...
Continua...
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
True Love 2 Part 3
As perguntas começaram a surgir assim como as minhas lágrimas, cada uma mais dolorosa que a anterior, só queria sair dali mas ele continuava. Parecia ate gostar que cada palavra que mencionasse me magoasse ainda mais, repetia "Kevin" outra e outra vez porque cada vez que o dizia o meu coração parava, parecia estar a sentir prazer com aquilo. Estava a ficar completamente farta de estar ali fechada com aquele homem que supostamente devia ajudar-me e mandar aquele monstro apodrecer na prisão mas que estava ali apenas a cumprir horário, dizendo cada palavra sempre com a mesma descontracção parecendo nem sequer se importava com tudo aquilo. Só de pensar que todo aquele tempo esperei pela policia, desejava que algures la fora estivesse alguém obcecado em me encontrar como aqueles policias dos filmes que não desistem e são capazes de dar a sua vida pela vitima do caso que estão a investigar, mas a verdade não era assim tao romanceada e estes apenas queriam acabar o seu trabalho e voltar a casa com dinheiro no bolso. Tudo aquilo apenas me tinha deixado cada vez mais frustrada. Depois de algumas horas fechada, deixaram-me finalmente sair, ao certo não sei quanto tempo passou porque cada segundo ali dentro parecia horas. Entrei no carro do meu pai e segui para casa que se encontra a aproximadamente 5 minutos da esquadra. Estava impaciente, queria as minhas coisas, queria o meu quarto e principalmente a minha confortável cama. Mal o meu pai abriu a porta de casa, entrei completamente disparada, corri toda a casa para ter a certeza que estava tudo na mesma, uma vela nova ali um candeeiro acolá, mas essencialmente estava tudo exactamente como da ultima vez em que la havia estado. Entrei no meu quarto, e uma sensação de segurança invadiu todo o meu corpo. Mandei-me para a cama, fechei os olhos e pela primeira vez fui capaz de esquecer tudo aquilo. Acordei varias horas depois com o idiota do meu irmão a chamar-me para jantar, pronto admito que ate tinha saudades do meu irmaozinho por isso nem me chateei com isso. Nós sempre nos demos bem, nunca fomos daqueles irmãos que passam a vida a discutir, claro que tivemos as nossas desavenças como toda a gente mas tudo se resolve. Desci para jantar e foi bom voltar a estar á mesa com a minha família, confesso que nunca tinha gostado muito nisso mas naquele momento soube bem. Comi, comi e voltei a comer mais, acho que nunca a comida da minha mãe me tinha sabido tão bem. Voltei para o quarto completamente cheia e o meu irmão seguiu-me.
- Podemos falar?- perguntou baixinho, com a cabeça entre a porta.
- Claro entra!
Ele correu para mim e abraçou-me.
- Senti a tua falta tonta. Os pais estavam a começar a perder a esperança mas eu sabia que estavas bem.
- Calma, já passou tudo. Agora vais ter que me aturar durante muito tempo.
- Ainda bem! Nunca mais nos voltes a pregar um susto destes! Desculpa se não queres tocar no assunto mas lembras-te do que aconteceu ?
- Sim... De algumas coisas...
- Podes contar?
- Sim...
Continua...
- Podemos falar?- perguntou baixinho, com a cabeça entre a porta.
- Claro entra!
Ele correu para mim e abraçou-me.
- Senti a tua falta tonta. Os pais estavam a começar a perder a esperança mas eu sabia que estavas bem.
- Calma, já passou tudo. Agora vais ter que me aturar durante muito tempo.
- Ainda bem! Nunca mais nos voltes a pregar um susto destes! Desculpa se não queres tocar no assunto mas lembras-te do que aconteceu ?
- Sim... De algumas coisas...
- Podes contar?
- Sim...
Continua...
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