domingo, 3 de março de 2013

True Love 2 Part 6

Aquele nome não me saia da cabeça... tinha a certeza que já o tinha ouvido noutro lado mas não me conseguia mesmo lembrar onde. Por muitas voltas que desse á cabeça, por muito que tentasse inspeccionar cada memória ao pormenor, não o conseguia identificar. Sai da esquadra e fui para o hospital, a Mafalda continuava internada e não podia esperar para a ver. Entrei no hospital, fui á recepção e disseram-me que ela estava no 3º andar. Entrei no elevador, que já era um pouco antigo e que demorou imenso a chegar ao 3º andar. Finalmente no fundo do corredor, no quarto 483, encontrei finalmente a Mafalda. Estava deitada num estreita cama de ferro com um fino colchão e límpidos lençóis brancos, tinha a perna engessada e levantada de maneira a que pudesse estar esticada. Sorriu ao ver-me e com a sua voz um pouco aguda disse:
- Ola.
- Olá tonta, então o que te aconteceu á perna? - perguntei com ar preocupado.
- Depois de ter saltado pela janela e fugido da casa, andei horas e horas pela floresta até que anoiteceu e tornou-se difícil andar pela floresta sem luz. Finalmente, umas horas depois de ter anoitecido consegui chegar a uma estrada, e depois de mais umas quantas horas passou finalmente um carro mas como a visibilidade era fraca, quando me meti á frente do carro para o fazer parar, ele não me viu até eu estar mesmo próxima do carro e bateu-me com o pára choques da frente. A minha sorte é que era um senhor simpático que me meteu no carro e trouxe para o hospital. 
- Ainda bem amor, tinha ficado preocupada.
- Eu sei que te deveria agradecer por me ajudares a fugir mas a minha mãe contou-me o que aconteceu ao outro rapaz e não te queria falar nisso mas...obrigada.
-Somos melhores amigas, eu não te ia deixar com um psicopata tola.
Falamos durante mais umas horas até que a hora de visitas acabou e fui obrigada a sair. De qualquer das maneiras não aguentava muito mais tempo com ela, por muito que fosse a minha melhor amiga e que a amasse, sentia que tudo também era um pouco culpa dela. Pensava se teria sido a escolha certa salva-la e perder o Kevin, acho que desejava que ela estivesse morta. Era um pensamento estúpido e não queria tê-lo mas este assombrava-me a cada segundo. Voltei para casa e quando cheguei a minha mãe estava a acabar de fazer o jantar, ajudei-a a meter a mesa e alguns minutos depois estávamos todos reunidos á mesa a jantar. Por muito que tivesse sentido a falta da minha família, ainda estranhava um pouco tudo aquilo, pois, estava habituada a comer fechada num quarto e depois de tanto tempo isolada estar no meio de tanta gente era-me estranho. Pode parecer ridículo mas depois de tanto tempo fora, a minha família tinha-se tornado como estranhos para mim. Enquanto estive fora só  pensava em voltar para segurança da minha família e agora que aqui estou sinto que a única verdadeira segurança era quando estava nos braços dele. Comi o mais rápido que consegui e fechei-me no meu quarto. Deite-me na cama, fechei os olhos e tudo o que aconteceu passou-me pela cabeça a uma velocidade alucinante. Tentava lembrar-me da ultima vez que o havia visto mas tinha sido um momento tão rápido e insignificante que a memória nem se deu ao trabalho de guardar. Lembrava-me de todos os momentos que tive com ele, á excepção do último, sei que parece ridículo mas acreditem que é verdade. Aconteceu tudo tão rápido, ele correu lá para fora para distrair o pai e acho que não o vi novamente mas não consigo dizer com certezas. Abri os olhos e abracei-me á almofada, fechei os olhos e imaginei que aquela pequena almofada era o seu corpo, abri novamente os olhos e a estúpida almofada continuava ali. Sentia que não conseguia respirar, que por muito que enchesse o peito de ar, continuava a sufocar. Estava de volta á minha vida mas aquela já não era eu e a minha vida deixara há muito de ser aquela. Queria desistir mas agora não o podia fazer, seria demasiado egoísta da minha parte depois do que tudo o que a minha família passou fazê los sofrer ainda mais. Ao mesmo tempo queria ir ter com o Kevin mas a incerteza da morte deixava-me ainda mais confusa e se pensasse no caso de a morte ser apenas o fim e não haver mais nada o meu coração congelava completamente. Nunca tinha acreditado que houvesse algo depois da morte mas agora desejava-o mais que tudo, agora percebia porque é que quando morre alguém se diz ás crianças que essa pessoa foi para o céu e um dia vamos voltar a vê-la, essa era a esperança que me fazia continuar. Mas não parava de pensar no quanto é difícil acreditar que algo é eterno se nem sabemos porque aqui estamos. Fechei os olhos e voltei a agarrar a almofada. Não podia desistir agora...

Continua...